Wednesday, September 12, 2012

The Paperboy



Para o bem ou para o mal, THE PAPERBOY é o filme que Werner Herzog pensou, mas não tentou. A história que Almodóvar desejou, mas não filmou. Tudo com um toque de INSTINTO SELVAGEM. Um conto polêmico e chocante, mas não tão polêmico e chocante como tantos outros filmes exibidos em Cannes 2012, cujo destaque, além da perversão de Nicole Kidman, da rebeldia de Zac Efron é mesmo de Macy Gray, a coadjuvante que dá carne e cor para essa America segregacionista e as ambiguidades que a humilham – e aos negros – de forma permanente.


E assim, Lee Daniels confirma seu apetite underground pelo pesado ao revelar um filme mais agradável (mais comercial?) que PRECIOSA. Talvez seja o conceito substancial do livro de Pete Dexter (O mesmo de “Deadwood”), o contexto (A Flórida dos anos 60), uma aposta claramente dramática (A investigação de dois jornalistas para salvar um condenado à morte) e os personagens mais complexos. Então, ele solta Efron – a sexualidade reprimida, o racismo latente – diante de Kidman, uma ninfomaníaca surpreendente, voraz, loira, louca. Seu personagem é sexo e fetiche. Inebriante. Atordoante. Ao seu redor, se constrói uma investigação jornalística, uma historia de amor e um esboço social dessa América sulista.


Daniels também olha para os homens, se apaixona e fantasia: John Cusack assina um papel bastante incomum para ele. Matthew McConaughey esconde uma personalidade dividida (evidentemente…) e Zac Efron, em desacordo com o ícone da Disney, prova que cresceu: Um menininho consumido por frustrações eróticas.


O filme, execrado pelo mau gosto, extrai o máximo de seus atores e tem o bom senso de não refreá-los. Talvez não seja um grande filme (não tem a pretensão de ser), mas possui certa singularidade e raridade que pode seduzir. Que seja ao menos pelo charme febril de Kidman. Para amá-la, ou odiá-la.


Spoiler Rating: 65




Source:


http://spoilermovies.com/2012/09/12/the-paperboy/






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